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Lojas de rua vão ganhar força após a pandemia

O segmento de lojas de rua sairá da pandemia mais forte do que entrou. Nas últimas três décadas, as grandes marcas do varejo preferiram concentrar seus esforços nos shoppings centers. E tinham bons motivos para isso: segurança, estacionamento amplo, grande concentração de clientes. Mas a retração econômica provocada pelo novo coronavírus está fazendo com que os lojistas olhem para a rua com mais carinho.

Eu sou dono de mais de 20 lojas, em diferentes regiões do país, que estão localizadas tanto na rua quanto dentro de shoppings. E posso garantir a vocês que, nos últimos meses, o resultado financeiro das unidades de rua tem sido bem mais satisfatório. Além disso, a renegociação dos aluguéis com os proprietários dos pontos de venda foi bem mais fácil do que obter ajuda dos controladores dos shoppings.

É lógico que a pandemia afetou todos os segmentos econômicos, e que o momento também não é nada fácil para os shoppings centers. Porém, se eles não compreenderem rapidamente que são as lojas que sustentam os empreendimentos, que são as lojas que atraem público, que são as lojas que dão vida a um complexo comercial, vão ter um prejuízo ainda maior.

Lojas de rua x lojas de shopping: quais mudanças estão acontecendo?

lojas de rua x lojas de shopping: qual é a diferença?

Em condições normais, centros de compras costumam ter cerca de 5% de vacância, ou seja, de pontos de venda sem ocupação. Hoje, de acordo com levantamento da Abrasce (Associação Brasileira de Shoppings Centers), os 577 shoppings do país estão com uma vacância de 8%. 10 mil lojas fecharam no ano passado, enquanto outras 6 mil foram abertas. Portanto, o saldo negativo é de 4 mil lojas.

Você já deve ter percebido a quantidade de tapumes nos centros de compras. Alguns até têm corredores fantasmas, com tudo escuro. Em São Paulo, o Shopping Higienópolis está com 10% dos espaços disponíveis para locação.

Mas nem todos os 6 mil comércios que entregaram seus pontos para os shoppings em 2020 faliram. Boa parte migrou para a calçada. É por isso que as lojas de rua são uma tendência para 2021 e para o pós-pandemia. E quando os shoppings perceberem que é preciso negociar, reduzir o aluguel e o condomínio, isentar taxas extras e facilitar o pagamento para apoiar os comerciantes neste momento de crise, talvez seja tarde demais.

A C&A é uma das grandes redes que estão buscando espaços no interior e nas ruas!

Quando alguém pensa em comprar na C&A, já mentaliza qual é o shopping center mais próximo, ou com estacionamento mais barato, ou com oferta de outros comércios interessantes que merecem uma visitinha. Mas a partir de agora, o consumidor talvez não precise ir ao centro de compras para conhecer as novas coleções da marca.

O plano da rede para 2021 é abrir mais 25 lojas, porém em cidades menores ou na calçada. A empresa acelerou suas estratégias de vendas digitais, e tem usado o ponto físico para retirada das compras feitas pela internet. É bem mais fácil e rápido para o consumidor buscar suas roupas novas em lojas de rua do que dentro de um shopping center enorme. Ainda mais, na pandemia.

As minhas experiências recentes com lojas de rua!

Valquírio Cabral é um consultor especializado em varejo.

Eu registrei em minhas lojas de rua movimentações muito maiores nos últimos meses. Em princípio, imaginei que seria uma alteração passageira. Mas a verdade é que, semana após semana, o público continuou crescendo nas lojas de rua e diminuindo nas lojas de shopping center.

E tenho algumas informações bem úteis para você que é lojista ou que está planejando empreender neste ano, seja inaugurando ou ampliando um comércio, e não sabe qual opção escolher. Eu orientei as vendedoras a fazerem uma pesquisa informal com a clientela, para conseguirmos entender essa mudança de hábitos.

Um ponto que apareceu em muitas conversas é a facilidade oferecida pelo “drive-thru”. O consumidor consegue estacionar em frente à loja, escolher rapidinho, pagar e ir embora. Ou simplesmente parar e pegar o que já comprou pela internet. Há um consenso de que no shopping o trajeto é longo, tudo é muito longe e confuso, e se perde muito tempo. As pessoas não querem ficar expostas. Elas desejam praticidade!

Nas conversas informais com as vendedoras, as clientes também explicam que na loja de rua não existe aquele tumulto nos corredores e escadas rolantes, não há aglomeração. E que o atendimento é mais tranquilo, que a vendedora tem mais tempo para se dedicar a mostrar com calma as opções disponíveis.

Outro ponto de atenção é o preço: a clientela acredita que no shopping é sempre mais caro do que na rua. Como lojistas que somos, você e eu sabemos que nem sempre isso é verdade. Claro que os custos do shopping são maiores e precisamos incluir a despesa no preço de venda. Mas há muitos casos em que o produto custa a mesma coisa no shopping e na rua. Porém, o cliente tem CERTEZA de que não é assim. Ele acha que, comprando em lojas de rua, sempre economizará. E neste momento de crise, de dinheiro escasso, ninguém quer gastar mais do que o necessário.

Os consumidores estão redescobrindo o prazer de comprar no comércio de rua!

Ainda falando de dinheiro, as pessoas sabem que, no shopping, vão acabar comprando mais do que deveriam, tendo o olhar atraído para algo que não precisam, mas desejam. E por isso também evitam entrar em grandes centros de compra quando estão com o orçamento apertado.

Mas outra questão interessante é que os consumidores estão redescobrindo o prazer de comprar no comércio de rua. De caminhar pelas calçadas, de olhar as vitrines. E em cidades do interior, como Sorocaba, Jundiaí e Araraquara, o centro de descentralizou. Há várias regiões de compras distribuídas pelos bairros. Há pequenos centros comerciais com 10 ou 20 lojas e algumas dezenas de vagas. Iniciativas que estão fazendo muito sucesso.

Consultoria de vendas para lojistas de todo o Brasil!

Além de empresário, sou consultor especializado em vendas no varejo. Tenho me dedicado a apoiar lojistas de todo o país a melhorarem seus resultados comerciais por meio de novas estratégias e tecnologias.

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